sexta-feira, 9 de julho de 2010

Background: Max Windslasher

O cavaleiro Windslasher

Se procuras uma historia feliz, não a encontrara nessas pobres palavras. Encontrará apenas o medo, a dor e o sofrimento.


Essa história começa bem antes da lembrança de vossos anciões. Em um lugar onde eles jamais se imaginaram. Diferentemente dessa pocilga que vocês, humanos, chamam de planeta, Gorlan era um lugar perfeito. Como assim o que é Gorlan? Às vezes me esqueço da tua ignorância.


Gorlan é o planeta dos elfos. Meu lar. Parece que quando fecho meus olhos ainda sinto a brisa gelada que vinha do Mar Negro, e o calor da grama que cobriam meus pés.


Eu vivi lá. Lembro-me como se fosse ontem. Correndo pelo trigo no auge dos meus 12 anos. Alias, era meu aniversario. O rito de passagem. Me transformaria em um guerreiro aquele dia.


De repente o barulho. O dia se transformou em noite em segundos. Um buraco se abriu nos céus. Gritos. Barulhos. Estalos. A última imagem de Gorlan que tenho é o de uma mulher chorando e correndo em minha direção.  Jamais esquecerei o semblante da minha mãe naquele momento.


No momento seguinte, lá estava eu. No meio de uma cidade parcialmente destruída. Ouvia os mesmos choros e gritos de antes. Via os mesmos buracos, mas esses faziam chover criaturas, muitas que eu jamais imaginei existirem.  No meio dos gritos uma mão me pegou pelos braços. Ele era como eu. Ele também era um elfo. Passei aquela noite com ele e mais quatorze como eu, em um túnel subterrâneo, com um rio de cor marrom e cheiro de podridão. Demorei anos para descobrir que havia dormido em uma rede de esgotos.


No outro dia, ao raiar do sol, saímos para tentar descobrir alguma informação com os nativos desse novo lugar, mas tudo o que encontramos foi o medo e a reprovação nos olhos dos nativos. Naquela manhã, perdemos 3 parceiros. Achamos outro pequeno grupo de elfos, o qual também procurava abrigo. Fomos para as montanhas. Não sabia o que havia acontecido ali, mas grandes crateras haviam se formado. Não foi difícil se esconder em uma delas.


A cada semana que passava recebíamos novos ataques, e perdíamos mais parceiros. No final de quatro luas, eu era o único sobrevivente. Não era sobrevivente da batalha. Era um sobrevivente do medo.


Corri para longe da cidade, até encontrar uma área repleta de árvores. Não sei se os humanos a conheciam, pois ela era densa e de difícil acesso. Foi ali, entre os galhos, que me refugiei. E ali fiquei. Me alimentava de frutas que as árvores me serviam, e alguns pequenos roedores.  Perdi a conta de quantas luas se passaram.



Descobriria mais tarde, que fiquei 1927 luas em meio à floresta antes de ser encontrado por um cavaleiro de armadura negra que vagava por entre as árvores. Ele era humano. De repente eu o observava e num piscar de olhos ele se encontrava com sua lamina em minha garganta. Ele poderia e deveria ter me matado àquela hora. Anos mais tarde descobri que ele só não o fez, pois encontrara em mim ele mesmo. Um ser sem esperança. Apenas ódio.





Ele me acolheu e me ensinou parte do que sabia. Me deu até um nome, já que eu não me lembrava mais do meu próprio. Era o mestre e o discípulo. Dan Windslasher e Max Windslasher.


Mas as coisas ainda não haviam mudado. Eu ainda era um elfo. O ultimo elfo, segundo meu mestre. E minha historia se espalhou rapidamente pelas cidades. Uma noite, Dan me trouxe um cartaz, com uma foto minha ao longe, e uma recompensa.


Por vezes acordei no meio da noite com o barulho de aço contra aço. Meu mestre me defendia de aventureiros que vinham em busca da recompensa. Mas uma noite aconteceu o que já era previsto.


O mesmo barulho ecoava por entre as árvores. Acordei assustado e fui ver o que estava acontecendo. Diferentemente das outras vezes, era apenas um que desafiara meu mestre. E pela primeira vez, o vi sangrando. Algo me chamou atenção no céu. Anjos negros voavam sobre a clareira. Dizem que antes de sua morte você escuta os cantos das Valquírias. Essas não cantavam. Riam. Meu mestre me mandou correr para a floresta. Me escondi. Ainda ouvia as espadas se tocando. Os risos. Uma explosão ecoou.



Espiei por entre as árvores. A cena daquele cavaleiro branco limpando sua espada coberta de sangue ainda me atormenta nos meus pesadelos. Uma segunda explosão. Ele e meu mestre sumiram. Era o fim. Sobre a grama queimada e ensangüentada, apenas um anel havia restado para provar a existência de meu mestre.



Pela segunda vez estava me sentindo
em casa. E pela segunda vez isso me foi tirado.


Vaguei então sem rumo. Na noite. Por muito tempo.


Não busco vingança. Busco apenas trazer o sofrimento, assim como trouxeram isso para mim. 

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